Enfermeiras farão partos no Hospital de Clínicas – POA

Objetivo do Centro de Parto Normal é reduzir as cesarianas, principalmente as desnecessárias

Lúcia Pfitscher diz que serão usados métodos naturais, como bola suíça e banheira<br /><b>Crédito: </b> Vinícius Roratto
Lúcia Pfitscher diz que serão usados métodos naturais, como bola suíça e banheira
Crédito: Vinícius Roratto
Até o mês de dezembro, começará a funcionar na maternidade do Hospital de Clínicas de Porto Alegre um projeto inédito no Rio Grande do Sul: o Centro de Parto Normal (CPN), onde os partos serão realizados por enfermeiros obstetras. A iniciativa faz parte de uma nova atenção ao parto, criada pelo Ministério da Saúde através da Rede Cegonha em março de 2011, que incentiva a consolidação desses centros no país e preconiza um atendimento humanizado à paciente.
A enfermeira Lúcia Chaves Pfitscher, que atua no Centro Obstétrico do Hospital de Clínicas, ressalta que será oferecida uma assistência diferenciada, em que os enfermeiros farão os partos e terão o suporte de uma equipe multidisciplinar. “O CPN funcionará como um projeto piloto. Teremos uma sala no Centro Obstétrico até a construção de um anexo previsto no projeto de ampliação do hospital”, explica.
Segundo Lúcia, a unidade continuará com a mesma equipe de profissionais, mas afirma que será necessária a contratação de oito ou nove enfermeiros obstetras. A equipe da maternidade do Hospital de Clínicas fará a capacitação e o treinamento no Hospital Sofia Feldmann, em Minas Gerais, que é referência na humanização do parto. Ela deixa claro que o CPN não atuará como uma casa de parto local que só trabalha com enfermeiros. “A diferença é que o acompanhamento do parto será feito pela equipe de enfermagem e no momento em que identificarmos problemas solicitaremos avaliação médica”, destaca.
As pacientes para participarem do projeto serão selecionadas na admissão, com o mesmo critério de avaliação médica. “Se a mãe apresentar um pré-natal de baixo risco, será convidada a ter um parto natural.” Um enfermeiro explicará a filosofia de humanização, o que é um CPN, e a gestante, aceitando, será encaminhada ao parto natural. Ou seja, não haverá o uso de medicamentos que hoje causam risco à mãe e ao bebê. “Nesse tipo de parto, não será oferecida analgesia, somente métodos naturais como o uso da bola suíça, estímulo à deambulação e o banho de aspersão”, acrescentou. Uma inovação é a colocação de uma banheira. Conforme Lúcia, não existe nenhum hospital no RS que ofereça parto na água como método de alívio da dor. O diferencial no CPN é que o paciente não fará uso da oxitocina – remédio colocado no soro para induzir contrações. Além disso, a mãe terá livre movimentação. Hoje, segundo a enfermeira, a paciente fica restrita ao leito.
A presidente da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (Abenfo/RS), Virgínia Leismann Moretto, diz que o CPN tem o objetivo de oportunizar um modelo de parto em que as escolhas das mulheres sejam respeitadas. “O Clínicas é um laboratório da Ufrgs e tem o compromisso de ampliar o conhecimento com novas práticas. A ideia do projeto é reduzir as cesarianas, principalmente as desnecessárias.” Para Virgínia, os enfermeiros obstetras pretendem trabalhar em conjunto e nunca se pensou em se dissociar de outros profissionais da saúde.
Para médicos, objetivo é ”baratear”
As entidades médicas gaúchas criticaram o fato de que os enfermeiros obstetras do Hospital de Clínicas de Porto Alegre realizarão os procedimentos no Centro de Parto Normal (CPN). Para o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), o interesse do governo federal é “baratear” o custo da mão de obra nos hospitais. O Conselho Regional de Medicina (Cremers) considera um “despropósito” um hospital universitário permitir a realização de partos por enfermeiros.
O presidente do Simers, Paulo de Argollo Mendes, destaca que o tempo de formação de um médico obstetra é mais ou menos equivalente a três vezes o tempo de formação de um enfermeiro. “O médico é um profissional mais caro. É interesse do governo federal que o parto seja realizado por enfermeiros. O gasto dos hospitais será maior se tiverem que contratar médicos para realizar todos os partos.”
Para Argollo, o Ministério da Saúde não faz o extremo que seria tirar o médico do Centro Obstétrico e deixar o enfermeiro realizar o parto. “Não fazem porque sabem que a mortalidade fetal é muito maior quando o médico não está presente. O profissional tem um preparo para atender a um parto que o enfermeiro não possui”, acrescentou.
Segundo ele, o governo quer “baratear” os partos oferecendo aos hospitais mais recursos caso a instituição adote o modelo dos partos realizado por enfermeiros obstetras. “Os hospitais aceitam até porque as instituições de saúde estão com sérios problemas financeiros. Depois que é montada a estrutura, o governo federal nunca mais reajusta os valores dos procedimentos e fica muito mais barato a realização de partos por enfermeiros”, argumenta.
O coordenador da Comissão de Fiscalização do Cremers, Antônio Celso Ayub, concorda que existe estímulo para que os hospitais adotem o sistema pagando muito bem no início do projeto e depois a médio prazo as instituições de saúde não são reajustadas. Para ele, seria mais fácil de se entender se o projeto, por exemplo, fosse desenvolvido no interior da Amazônia, mas não em um hospital universitário.

Fonte: Correio do Povo http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=464994#.UFZ0S3BBqBQ.facebook

Uma reflexão sobre Aleitamento Materno

Imagem do text uma reflexão sobre leite maternoO aleitamento materno é um ato social. Presente na história há milhares de anos, evoluiu junto com a humanidade. Dentre os registros históricos, podemos citar as mães indígenas, que carregavam seus filhos junto ao corpo não apenas para protegê-los de ameaças, mas também para alimentá-los com leite materno. Na segunda metade do século XIX, nas famílias burguesas, destacavam-se as amas de leite: as escravas negras amamentavam primeiro os filhos dos patrões, pois eram tidas como produtoras de leites mais fortes.

A partir da década de 60, ocorreu, em âmbito global, uma supervalorização dos alimentos industrializados, tornando o aleitamento um ato secundário e, por consequência, houve desvalorização da mulher que amamenta, diminuição da cultura e transmissão dos conhecimentos sobre amamentação, afrouxamento do vínculo mãe-bebê e aumento da mortalidade infantil.

No Brasil, ao final da década de 70, surgem as primeiras iniciativas em prol do aleitamento materno e, durante as décadas de 80 e 90, programas mundiais de incentivo, retomam a antiga cultura, resultando, em 2001, na 54º Conferência de Saúde, em Genebra, que determinou a recomendação da Organização Mundial da Saúde, mantida, até hoje, como padrão ouro: “Aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e complementar até os 2 anos de idade”. Tomando-a como base, é possível definir algumas das indiscutíveis vantagens do aleitamento materno.

  • O leite materno é o alimento mais completo, contendo todos nutrientes apropriados para o organismo do bebê;
  •  Possui fatores imunológicos específicos para o bebê, que não se encontram no leite de vaca e em nenhum outro leite ou fórmula láctea;
  •  Protege contra doenças, como diarréia, otites, pneumonias e alergias, dentre outras;
  • É um alimento livre de contaminação, pois não necessita de manipulação;
  •  Está pronto a qualquer hora, na temperatura certa para o bebê;
  •  Favorece a criação do vínculo afetivo a partir do contato pelea-pele e olhos nos olhos;
  • Enquanto o bebê se alimenta, a participação e apoio do pai, irmãos e familiares favorece a continuação e prolongação da amamentação;
  • Amamentar pode contribuir para a diminuição do sangramento materno e volta do útero ao tamanho normal;
  •  O ato de amamentar diminui o risco de câncer de mama e ovários.

Embora o conhecimento destas vantagens seja bastante disseminado,  e hoje existirem diversas políticas e programas que tratam da promoção, proteção, manejo e incentivo ao aleitamento materno, segundo a II Pesquisa de Prevalência de Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras e Distrito Federal, publicada em 2009, pelo Ministério da Saúde, a prevalência de mães que amamentam seus filhos exclusivamente é baixa, sendo a estimativa de duração mediana do AME de 54,11 dias (1,8 meses) no conjunto das capitais brasileiras.

O que realmente influencia na baixa adesão e manutenção da amamentação?  Que importância os profissionais da saúde dão de fato aos benefícios do aleitamento materno? Nossas informações dão atenção às dúvidas, incertezas e inseguranças das nutrizes? Oferecemos orientação e apoio de qualidade às mulheres que têm dificuldades relativas ao aleitamento?

O leite materno é comprovadamente o melhor, mais nutritivo e mais completo alimento para bebês, sejam estes nascidos a termo ou prematuros. Contudo, embora seja natural, vantajosa e instintiva, em muitas vezes, a amamentação, para ser bem estabelecida, precisa ser aprendida e orientada.  Assim, apoio e orientação para a mulher que amamenta é indispensável, pois o ato de amamentar vai muito além de nutrir o recém-nascido. Amamentar é, em linhas gerais, alimentar e criar vínculo. O momento da amamentação é único para o binômio mãe-bebê, é o momento do contato pele a pele, da interação visual, da construção do amor. Por isso, o aleitamento materno é a base dos fundamentos e ligado a essência da nossa constituição como seres humanos.

Ana Carolina Terrazzan – Nutricionista – CRN 8330

Texto Publicado SP Informativo (Dezembro 2010)
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